Libreflix: uma plataforma colaborativa e de conteúdo audiovisual livre

Conheça a plataforma de streaming livre e colaborativa que defende o conceito de cultura livre.

 

Por Juliana Oelsner

plataforma libreflix
Layout da plataforma Libreflix (Imagem: Print Screen da página).

As plataformas de streaming estão cada vez mais comuns no cotidiano da população, seja para assistir filmes e séries (no caso da Netflix, Crackle e afins) ou para ouvir músicas (como Spotify ou Deezer). Na maior parte dos serviços, é necessário criar uma conta ou pagar para ter acesso ao conteúdo. Mas já pensou numa plataforma que oferece serviço gratuito, sem a necessidade de fazer conta? Essa é a proposta do Libreflix, um espaço aberto e colaborativo para o compartilhamento de produções audiovisuais independentes e livres.

É fato que a produção audiovisual se tornou mais viável nos últimos anos, principalmente pela facilidade de acesso aos equipamentos, como câmeras, microfones e computadores. Entretanto, a divulgação e o escoamento ainda são etapas nas quais os produtores independentes encontram obstáculos. É claro que, em tempos de Internet, os trabalhos são facilmente disponibilizados em sites como YouTube e Vimeo, além de compartilhados nas redes sociais. Mas isso não é suficiente para trazer a visibilidade necessária ao cenário independente do audiovisual. É por isso que iniciativas como a do Libreflix são essenciais.

A Libreflix funciona de forma colaborativa, de modo que qualquer pessoa pode adicionar uma criação, desde que ela esteja disponibilizada para livre exibição; para isso, basta criar uma conta no site e inserir o produto audiovisual. O serviço é mantido pelo seu criador, Guilmour Rossi, e colaboradores, e funciona pela NotABug, uma plataforma de software livre com o objetivo de auxiliar projetos licenciados livremente, ou seja, sem restrições autorais. Lá, existem tópicos de assuntos específicos relacionados ao desenvolvimento e manutenção da Libreflix. Os interessados em colaborar com sua construção, comentam e discutem como chegar aos objetivos de cada tópico.

A plataforma segue o conceito de cultura livre e busca difundir o audiovisual para todas as pessoas, compreendendo que uma grande parte da população não pode pagar para acessar este tipo de conteúdo. Nesse ponto, é válido ressaltar que mais da metade dos brasileiros não tem acesso à internet. Então, apesar da ideia de que esse é um meio democrático, não podemos ignorar o fato de que os conteúdos da web não alcançam uma grande parte da população. Ainda assim, a internet permite que as pessoas sejam não apenas consumidoras, como também produtoras de conteúdo. Dessa forma, existe uma produção, interação e divulgação de informação maiores do que em meios como a televisão, por exemplo. Assim, temos a possibilidade de consumir conteúdo de pessoas e grupos que não têm espaço na grande mídia e temos também mais diversidade de informações.

O QUE ENCONTRAMOS NA LIBREFLIX?

O conteúdo da Libreflix é diverso, indo de filmes clássicos, como Viagem à Lua (Georges Meliés, 1902), às comédias teatrais, como Hermanoteu na Terra de Godah (Bernardo Palmeiro, 2016). E, já que falamos tanto sobre produção audiovisual e seu escoamento, vamos também indicar três documentários disponíveis na plataforma para você assistir.

FREENET

freenet
Lançado em 2016, “Freenet” tem direção de Pedro Ekman. (Imagem: Print Screen).

Freenet é um documentário que traz um panorama sobre a Internet, compreendendo-a como um local democrático e de liberdade. Mas até que ponto somos, de fato, livres neste ambiente? Será que todos têm acesso à internet da mesma forma? Essas são algumas das questões levantadas e discutidas durante o filme, na perspectiva de especialistas e ativistas da área, tanto brasileiros quanto internacionais.

HOTEL LAIDE

hotel laide
Com direção de Debora Diniz, filme foi lançado este ano (2017). (Imagem: Print Screen).

Hotel Laide traz a história de um hotel existente na Cracolândia até este ano, quando foi destruído por um incêndio. O hotel fazia parte de um programa de redução de danos, o “De Braços Abertos”. O filme acompanha a chegada de Angélica ao Hotel Laide. Ela é recebida por Dona Laide, responsável pelo hotel, e direcionada para Brenda Brace, residente do espaço há mais de um ano. A partir dessas três personagens do filme, é possível trazer a discussão sobre a situação da Cracolândia de um ponto de vista mais humanizado, trazendo os depoimentos de quem vive lá, diferentemente da forma que a grande mídia aborda.

QUEM MATOU ELOÁ?

quem matou eloa
Filme “Quem Matou Eloá” foi produzido em 2015 e possui direção de Lívia Perez. (Imagem: Print Screen).

A terceira indicação traz a história de Eloá Pimentel, de 15 anos, que foi assassinada pelo ex-namorado, Lindemberg Alves, após ser mantida refém por cinco dias. O caso ocorreu em 2008 e foi amplamente noticiado pela mídia. Quem matou Eloá? aborda a influência da mídia nos casos de violência contra a mulher e mostra como e por que os grandes meios de comunicação colaboram com a manutenção da sociedade machista.

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